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O desafio de produzir mais e com qualidade

27 de fevereiro de 2018

O empresário Ramon Rabelo conduz uma indústria calçadista que produz 220 mil pares mensais de calçados para o Brasil, a América Latina e os Estados Unidos. A Via Uno está presente em mais de 500 lojas multimarcas, com produtos de qualidade e apelo de moda global. Nesta entrevista, ele fala dos desafios do setor, critica as diferenças de tratamento tributário entre regiões brasileiras e revela ser um defensor da recém-anunciada Reforma Trabalhista, apesar das falhas.

Quais os principais desafios do setor calçadista?

Um dos maiores desafios são as fábricas de outros estados, principalmente Norte e Nordeste, já que somos do Rio Grande do Sul. As empresas de outros estados, como Norte e Nordeste, têm ICMS reduzido, incentivo fiscal, o que nós gaúchos não temos. Enquanto pagamos 12% de impostos, o Norte e o Nordeste pagam apenas 1% de imposto. Outros desafios são acertar o preço do calçado, fazer um calçado de qualidade, confortável e com apelo de moda.

Os desafios são grandes para chegar no valor que o mercado exige, e para isso precisamos ter um alto volume de produção para poder diluir os custos fixos da fábrica. Para isso, é preciso ter produto, ter modelagem para vender, volume para produzir, diminuir os custos fixos e ganhar na quantidade.

Existe um quadro indicativo de melhora do segmento fastfashion para 2018?

Acredito que sim, assim como o Brasil irá crescer de 2% a 4% neste ano, segundo estatísticas. O segmento fastfashion vai crescer junto com o país, pois cada vez a consumidora está mais informada. A mulher quer moda cada vez mais rápido, e é isso que o fastfashion traz para o mercado. Moda rápida, preço justo, com grande velocidade de desenvolvimento de modelagem. Isso está sendo implantado na Via Uno, pois o mercado está exigindo isto, e nós temos um grande potencial de desenvolvimento para 2018.

De que forma a inovação está presente no dia a dia da empresa?

A inovação está presente no dia a dia, nós desenvolvemos um produto novo diariamente, principalmente nesta linha fastfashion. Isso é feito por meio de pesquisas, inovando sempre o produto de forma dinâmica, já que o consumidor procura produtos diferenciados, com qualidade e com apelo de moda.

Como a empresa percebe as recentes mudanças na legislação trabalhista?

Vemos com bons olhos. E acredito que cada vez mais deve-se incentivar o empresário a gerar emprego, uma vez que o empresário não obriga ninguém a trabalhar. O empresário quer acordar com seus funcionários salários e premiações e cumprir conforme o combinado. Procuro ser justo: combinar com os funcionários e terceirizados e manter o acordado, pois hoje no Brasil é uma festa. Existem advogados e escritórios de advocacia especializados em buscar funcionários que saem das empresas e pedir insalubridade, horas extras e coisas que muitas vezes nem existem. Outro ponto que deveria ser revisto na reforma é a terceirização. Hoje quem dá o trabalho para uma empresa terceirizada é completamente corresponsável pelo funcionário. Isso deveria mudar.

Apesar de achar fraca e com falhas em alguns temas, a Reforma Trabalhista é correta. Acredito que a mudança trabalhista é um passo positivo.

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