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Cultura do puxadinho

07 de novembro de 2017

Agora que o presidente da República salvou sua pele pela segunda vez, ao olharmos em perspectiva panorâmica percebemos o arraso do furação. Não bastasse isso, os sinais vindos da capital federal já nos dão o tom dos cenários futuros, quais sejam, preparativos e combinações visando as eleições de 2018.

Visão de Mandato
Sim, está consagrada no país a lógica de que tudo que envolve a máquina pública gira em torno dos interesses político-partidários. Nessa lógica não existe visão de longo prazo. Existe apenas a visão do mandato e nela está intrinsicamente associada a cultura do puxadinho. As recentes liberações de emendas parlamentares, obrigatórias por lei mas cuja destinação é de livre escolha dos agentes políticos, obedeceu a essa perversa lógica e muitos recursos foram destinados a obras sem sequer tinham projetos iniciais elaborados.

Planejamento e Estratégia
Nestes tempos, não devemos nutrir esperanças em ouvir discursos oficiais sobre reformas estruturais longevas, com base em estudos e análises concretas que permitam um mínimo de planejamento e estratégia. A intenção e os fatos nos levam ao curtíssimo prazo.

Nos acostumamos com parcelamentos de tributos recorrentes e tão frequentes que os empresários cumpridores em dia suas obrigações sentem-se os bobos da corte; as leis são alteradas sistematicamente; a reforma tributária, tão necessária, mal nasceu como projeto e tá tem puxadinhos atrelados (o que a inviabilizará) mais uma vez.

A iniciativa privada pode sim servir de exemplo de como as coisas devem ser feitas, pois em organizações estruturadas e com planejamentos estratégicos claros e metas específicas conseguem atingir os objetivos, senão quebram. Temos uma boa mostra da diferença de cultura com a vinda de amigos estrangeiros para cuidar de nossos aeroportos, e nos discursos já percebemos uma mudança: sua fala remete a visão de longo prazo, 10, 20 anos, o que para muitos de nós parece soar estranho, mostra, com dureza, que precisamos aprender com eles. Não se faz um país estruturado, desenvolvido apenas com puxadinhos.

Fonte: Diário Catarinense 07.11.2017

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